AS LÁGRIMAS DE SALADINO – CCB Lisboa
As Lágrimas de Saladino é um título do 10.º capítulo da obra de Amin Maalouf, “As cruzadas vistas pelos árabes”.
Saladino entrou em Jerusalém na sexta-feira, 2 de Outubro de 1187 (o 27 de Rajab, do ano 583 da Hégira), no próprio dia em que os muçulmanos festejavam a viagem nocturna do Profeta a Jerusalém. Entrou em Jerusalém e após 91 anos de sangrenta ocupação pelos combatentes cristãos do Ocidente, dá ordem aos seus emires e soldados para poupar a população, os combatentes, evitar a pilhagem e o massacre, guardando os lugares de culto e anunciando que todos aí poderão rezar quando o desejarem… Ele próprio passa de um santuário ao outro, chorando, rezando e prosternando-se, num acto de compaixão sem precedentes na história da humanidade.
Esta será também uma obra sobre a compaixão e a ética no uso do poder. Uma obra onde a visão que temos do outro, do que nos é estranho e do que nos inquieta. Na realidade, temas mais actuais do que nunca. Hoje, como há mil anos, a mesma inflexibilidade do olhar e do sentir continuam a escrever os capítulos mais sangrentos da história dos homens, e a religião volta a ser o ponto de todas as discórdias.
Todos vemos o mesmo, mas cada um sente-o de uma forma diferente. E que tema mais universal de discórdia e questionamento pode haver, do que o olhar sobre o esse outro, veículo de uma cultura incompreensível, e perante a qual nos posicionamos de forma defensiva e sobranceira.
É neste universo cosmopolita e urbano que a obra se desenvolve, pois as cidades são o único território sem fronteiras, lugares de conflito, mas também de negociação de todas as culturas, lugares de iluminação. De algum modo As Lágrimas de Saladino será também um trabalho sobre a construção da incógnita. Um lugar de permanente tensão mas de incomensurável poesia.
Coreografia /Espaço cénico/ Desenho de luz e Multimédia RUI HORTA
Textos RUI HORTA | TIAGO RODRIGUES
Co-produção
CENTRO CULTURAL DE BELÉM | O ESPAÇO DO TEMPO | LABORAL ESCENA – GIJON








